domingo, 24 de julho de 2011

A Exorcista

Por Noeli



Dona Pepé era uma senhora portuguesa que morava na nossa rua. Ela tinha 3 filhos e eles vivam num padrão bem melhor que o nosso. O marido dela, corretor de imóveis, quase não se via, mas Dona Pepé levava a casa com mão de ferro, educava os filhos, cuidava das contas... Isso tudo com muita calma, delicadeza e um forte sotaque lusitano. Era uma vizinha exemplar, não se dava ao luxo de perder tempo com conversas no portão, nem com visitas aos vizinhos. E religiosa, católica apostólica devotíssima, não perdia uma missa.

Dona Pepé também era empreendedora, nos fundos do terreno de sua casa, construiu mais umas três casinhas de aluguel. Seus inquilinos eram gente direita, pagavam o aluguel em dia e não causavam problemas.

Um dia, uma das casinhas vagou e ela alugou a um casal sem filhos. Eram bem tranquilos, mas a primeira briga dava para ouvir da rua. Dona Pepé ficou preocupada, sentou-se com a inquilina e a aconselhou. Conversa de mulher. E a mulher, muito assustada contou a ela que seu marido incorporava o demônio, e quando isso acontecia, nem quatro homens fortes podiam com ele, a transformação era aterrorizante. Essa conversa acabou ficando conhecida, se espalhou pela vizinhança e o tal homem ficou temido. Quanto mais tempo passava, mais ele tinha as crises e mais medo todos tinham dele. A cada vez, ele espancava a esposa, quebrava tudo dentro de casa, e quando não restou nada, ele começou a destruir a casa.

Dona Pepé não gostou e avisou o casal. Não adiantou. Mais uma crise e ela recorreu à policia, que chegou muito tempo depois e não resolveu nada. Mas que raios, era a casa dela!

A crise seguinte surpreendeu, a gritaria e barulheira chamou a atenção dos vizinhos e fomos todos muito curiosos apreciar o demônio incorporado. O homem rosnava e jogava coisas contra a parede e para todos os lados. A mulher dele gritava. Os vizinhos se amontoavam na frente da casa para ver o espetáculo. Até que uma das coisas que ele atirou acertou a janela da casa da frente, que era bem onde a Dona Pepé morava. Lembro-me como se fosse hoje, ela muito brava, com um pedaço de pau na mão achado nem sei onde, com o sotaque carregadíssimo dizendo ”Estais com o demônio? Então vamos exorcisar!” e baixou-lhe o cacete. Ele tentou reagir, mas só até a segunda paulada. Na quarta ele já implorava “Pára dona Pepé, pára...”. Depois de vários golpes ela parou, e exigiu que eles se mudassem na mesma semana.

 Nunca mais aconteceu nada de sobrenatural naquela casa.

Um comentário:

  1. hahaha..
    nossa..a mulher do homem lá dentro com medo e gritando e os outros na frente da casa vendo a cena..Mas a D.Pepé foi corajosa em descer o cacete nele. Né ?
    Bom..A vizinhança ficou sem presenciar as cenas posteriores. E D.Pepé conseguiu retira-los daquela casa.
    Legal essas histórias Noeli !
    Beijos

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