quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Barraco entre vizinhos

Por Samaya



A Noeli e eu fizemos uma coisa notável, que pouquíssimas pessoas têm coragem de fazer: trocamos nossa vida em São Paulo para morarmos em uma cidade pequena... Aliás, para morar em Schroeder. Cidadezinha simpática essa! Logo que cheguei lá eu sempre me recordava de um poema, chamado “Cidadezinha Qualquer” de Carlos Drummond de Andrade... Quando eu dizia isso pra Noeli ela fazia cara feia, mas assim fomos aprendendo a viver em meio a coisas bizarras e jamais vistas de perto antes, tais como sapos, aranhas, cobras, bois e vacas (ainda bem que não tem baratas, né Mayra?)

“Assucedeu-se” que, por irremediavelmente sermos as duas novas peruas do pedaço, as vizinhas não iam lá muito com a nossa cara, e como passávamos pouquíssimo tempo em casa, inventaram prostituição e amantes que nos sustentavam (pensando bem... bom se fosse verdade hein?).

Logo que nos mudamos tomamos conhecimento de uns vizinhos que, conhecidos por sua riqueza e poder, eram temidos por todos ali daquele bairro. Esses tais vizinhos moram bem em frente à casa em que morávamos juntas, e a esposa do dono da casa sempre teve fama de brigona e autoritária.

Conosco morava uma simpática cadela dálmata, de nome Albina que era extremamente espoleta e...  extremamente surda! Ninguém segurava aquela cachorra, e como não estávamos ali o tempo todo para monitorar ela acabava escapando para as casas vizinhas, e uma dessas casas era exatamente a da poderosa já citada, que criava galos e galinhas, daqueles super chiques, sabe? Aqueles que parecem que andam de calças?

Ela, como era de se esperar, não gostou nadinha das visitas que nossa querida Albina lhe dedicava, assim como a Noeli não gostava nem um pouco das visitas dedicadas ao nosso quintal, feitas pelos galos e galinhas chiquérrimos da vizinha: “O quêêê? Essa vizinha tá reclamando da Albina? Deixa aquelas galinhas virem aqui em casa!Vou fazer uma Galinhada, uma Ga-li-nha-da!!!”

Um belo dia, a Noeli estava no banho e eu estava no quintal, a brigona veio até a frente da nossa casa para reclamar da Albina (e sobrou pra quem escutar? Pra mim, né?). Mas não fiz nada além de entrar em casa e deixá-la falando sozinha.

Nunca me esqueço de que, naquela mesma tarde, depois da briga eu estava ali ao lado da casa deles e pude ver de longe a nossa querida cadela Albina, saindo de dentro do quintal deles, com um pato morto na boca. Feliz da vida... Deu um barraco daqueles...

Essa é uma das histórias de como nos adaptamos tão bem à nossa vida campestre. Hoje a poderosa brigona “Sandra” é muito amiga nossa, até perdoou o fato de que no final do ano passado minha outra cadela, a Soraia, foi lá no quintal dela e matou todas as galinhas d’angola que ela tinha comprado, mas essa já é outra história.

Resolvemos tudo com umas caixas de cerveja.

2 comentários:

  1. Foram "alguns" barracos... rsrsrs

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  2. Noeli, porque é que isso aqui tá abandonado? quero mais histórias!

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